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Quem não conhece Maria Rezende, deveria.
Essa poeta carioca, além de escrever lindamente, diz poesia de um jeito. Mas de um jeito. Mas de um jeito.
Se eu pudesse trocava de poeta para dramaturgo da Maria.

Conheça a moça aqui: http://mariadapoesia.blogspot.com.br/

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O certo
É que temos
Um ao outro

Esticando os braços
Na altura do tombo

Nós estamos

O tempo passa seu vento
Sobre nosso rosto

E nós somos
Nós menos um ano

Mas estamos

A vida nos testa
E nos atira para todos os lados

Dificultando o equilíbrio no barco
E caímos de vez em quando
E nos afogamos

Mas nós

Nós estamos

A vida cotidiana
Nos tortura
Com sua loucura

Implícita

Os capitalistas
Ganham seu dinheiro
A custa do esforço alheio

E nós fazemos nossas economias
De afeto ao meio dia

E acima de todos os contratos
Rasgados
E das crises que reescrevem nossos planos

Nós estamos

O passado
E tudo que os adultos
Sem piedade nenhuma

Marcaram na pele
Das crianças que fomos

São hoje um exercício consciente
De um sofrimento distante e latente

Um cuida
Da memória do outro

Para que se cure o presente

Para que seja possível
Atravessar todos esses anos

Nós estamos

Everton Behenck