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Basta um pensamento
Em você

Para que alguém
Precise criar as cores

Lembrando que devo
Ao sinal de trânsito

Andar no verde

É só pensar em você
E o amigo

(Coitado)

É obrigado a repetir
Diversas vezes

Cada frase

Até que eu acene
Como quem entende

E continue
Sem ouvir uma palavra

Só para que ele não interrompa
Os passos que você dava

Sobre sua história de contas atrasadas

É só um pensamento encontrar
Você

E imediatamente
Meu rosto se comove

Percebo
Pelo jeito que os outros

Olham meus olhos

Como se quisessem perguntar
Meu nome

Ou oferecer um abraço

Me espanto
Ao ver que em um único simples e rápido
Pensamento

Eu te invento

Everton Behenck

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Eu a vi
Chorando

Na rua

Não sabia
Nada sobre sua vida

A não ser que chorava
Na rua

E por tanto
Estava só

Como só pode estar

Alguém que chora
Na rua

De súbito

Não coube nas mãos
E suspirou alto

E trêmulo

Fui passando por ela
E tantas palavras

Me vieram à boca

Que não era claro
Meu idioma

Passei meus olhos
Pelos dela

Muito muito rápido

Não se deve colocar
Os olhos sobre os olhos

De quem chora
Sozinho na rua

A não ser que você diga
Algo que realmente faça

Companhia

Everton Behenck

A chave gira
A fechadura

E é só um mecanismo
Não significa entrar

Nem sair

O corredor
Leva a todos

Os cômodos

Mas não me sinto
Chegando

E se virasse as costas
Não estaria indo

As estantes guardam
Com todo o zelo

O que não me importa
Perder

Ter algo
Não é isso

O interruptor
E sua chama
Instantânea

Iluminam a casa

E ainda assim
Não é luz

O controle remoto
Assiste simultaneamente

Canais infinitos
Sozinho

Os livros
Viram as páginas

Sem dizerem nada

A musica toca
Alta

Mas é como se tocasse
Lá fora

Tamanha distância

O cigarro queima
Rápido

Mas não parece ser
Em meus lábios

A garrafa
Cada vez mais escassa

E minha garganta
Não sente nada

E por saber
O que não arde

Bebe
Um pouco mais

Para lembrar
O que deveria sentir

E não está ali

Esses dedos
Que dizem essas coisas

Que você lê agora
Parecem não me pertencer

De meu mesmo
Só esse alivio

Em não estar

Everton Behenck

Eu colocaria no lugar
Todas as pedras
Da sua rua

Uma a uma

E perto da escada
Outra solta

Para que você quase caísse
E eu te oferecesse

O braço

Só para sentir a força
Das tuas mãos

E saber como é
Ser necessário

Ao teu instinto
De sobrevivência

Eu desenharia
Por dias

Uma janela
Só para fotografar você
Emoldurada nela

E nunca tiraria essa foto
Da minha carteira

E você nunca iria vê-la
Para que ao menos uma
Imagem tua

Fosse só minha

Everton Behenck

Exp. Cidade Poema, 40 poetas, 40 clicks. São os clássicos retratos de escritores. Mas as situações não são.

Tem o Veríssimo, a Maria Carpi, o Carpinejar e eu. Mazá. Confiram!
Começa hoje no saguão da Câmara Municipal.

Se alguém quiser dar uma olhada em algumas outras fotos: http://bancodeimagenscmpa.procempa.com.br/default.php?v=6

Uma canção
Para quem ama
Mais do que pode

Sem medo

Desses que não deixam
A palavra atravessar o peito

Uma canção
Para quem sente
Mais do que é possível

Nesses dias de amor
Invisível

Nessas horas sem piedade
Doentes de utilidade

Uma canção para quem chora
Cheio de certeza

De que amor
Não é fraqueza

Everton Behenck