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Quero tocar teu gemido
Pegar com as mãos

Levar à face
Como quem lava o rosto

As duas mãos
Juntas no gozo

Quero levar à boca
Teu gemido

Como quem devora um idioma

Em uma fome de sentido
Quero engolir teu gemido

Mastigar o som
Para saber teu gosto

Preciso levar teu gemido
Comigo

Para que ele seja
Meu abrigo

Everton Behenck

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Viva de acordo
Com seu engodo

Com a máscara
Mais cara

Ao caráter oculto
Do seu vulto

Quando beija

Viva desmentindo
Verdades

Que te desagradem

Em sua pequena
Aderência

Viva plena(mente)
Viva simples(mente)
Viva doce(mente)

Constrangida

Everton Behenck

Tento me explicar
Em um levantar de olhos

Tocando teu rosto
Com as costas dos dedos

Indicador e médio

E me declaro
Secreto

Tento me contar
Na respiração perdida

Entre o teu pescoço
E o ombro

Naquele espaço
Que não conhece a fala

Tento desesperadamente
Não dizer nada

Para me tornar uma única palavra

Everton Behenck

Lançamento da antologia O melhor da festa e sessão de autógrafos com os autores

Dia 22 de abril, quarta
das 19h às 21h
Livraria Letras & Cia

http://www.letrasecia.com.br
Av. Osvaldo Aranha, 444 – Bomfim – Porto Alegre/RS
Tel.: (51) 3225-9944

O melhor da festa

Antologia publicada especialmente para a ocasião, a obra reúne poemas, contos, crônicas e ensaios inéditos de 36 autores que participaram da primeira edição da FestiPoa Literária, em 2008. Contém desde ficção de autores ainda não publicados em livro, até textos de escritores consagrados e premiados no cenário literário nacional, como Donaldo Schüler – escritor homenageado da FestiPoa 2008 – Luiz Antonio de Assis Brasil, Fabrício Carpinejar, Ricardo Silvestrin, Marcelino Freire e Luis Augusto Fischer.

Título: O melhor da festa

Autor: 36 autores

Organizador: Fernando Ramos

Texto das orelhas: Paulo Scott, Luiz Antonio de Assis Brasil, Lima Trindade e Luiz Horácio

Capa, projeto gráfico e ilustrações: Guilherme Moojen

Gênero: Antologia/Literatura Brasileira

Formato: brochura, 14 X 21 cm

Páginas: 136

Peso: 175 g

Preço: R$ 21,00

Editora Nova Roma

Produção: jornal Vaia

Tem que ser assim
Mas será?

Que tem que ser
Te negar?

Mesmo continuando
A te ver?

Em todo lugar

Não há lado
Em que você não está

Não existe teoria
Sem a variável dos teus olhos

Tu é minha ciência

Minha lei
Da gravidade

Sem ti não há Darwin
Que me salve

Meu instinto
Anda sentindo

Tua falta

O eterno retorno
À tua placa

De pare

Everton Behenck

http://poemadia.blogspot.com/

Não sou um poeta menor
Sou minúsculo

Cada letra
Um grão de areia

Construindo um castelo

Everton Behenck

Há algo dentro desse corpo
De carne e osso

Há algo que espreita
Que estranha

As entranhas

Orações
Que rezo

Me encolhendo como um feto
Enquanto durmo

Há alguém passando uma caneca
Na grade das costelas

Há muitos bichos
Repetindo seus grunhidos

No escuro

Há algo nesses sussurros
Do corpo

São muitos monstros

Que nos são
Mais do que somos

Everton Behenck

De 22 a 25 de abril vai acontecer a segunda edição da FestiPoa. Em breve será publicada toda a programação do evento.

A primeira foi muito bacana e a segunda promete ainda mais literatura e mais festa.
Aguardem.

Não é arte
Isso que arde

Isso que cuspo
Na folha em branco

Desespero
Mesmo que alegre

Mesmo que inteiro
Não é arte

Não é arte
Pensar no amor

Desacreditar
E voltar a si

Fazer canções
Para compensar

Não é arte
Isso que eu canto

Não é arte
Essa palavra
Não é arte

Arte

É driblar a morte

Everton Behenck