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Aquele menino
Já sabe o que é
Não ter paz

Sente

Que dentro de si
O tempo passa
Muito mais rápido

São anos correndo
Em seu choro lento

Nasce dentro do menino
O homem

Dentro do homem
O velho

Aquele menino
Tentando falar

Por entre os restos
De dignidade

No gesto desesperado da mãe
Frente ao silêncio do pai

Aquele menino
Tentando ser justo

Na balança dos lábios
Pequenos

Não quer marcar ninguém a ferro

E como queimam
As palavras das crianças

Aquele menino
Mede suas lágrimas

De criança farta

E vai passar a vida
Dizendo que não foi nada

Mas serão incontáveis as vezes
Que pensará nisso a noite

E logo se voltará
Para as pequenas coisas da casa
A mulher amada
O filho que terá um dia

Mas que agora

Não passa de uma criança
Feita de sombra

Aquele menino
Que levanta as mãos

E as abaixa

Com a pressa mágica
De sentir-se capaz

De dizer com o ar

Aquele menino que está
A milhares de quilômetros de mim

Tentando conciliar os pais
Dentro de si

Aquele menino
Onde alguma coisa
Se perdeu

Sou eu

Everton Behenck

A Não Editora lançou os Dentes da Delicadeza no formato e-book.
E por apensas R$7,90.

Bom, né?
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Preciso escrever um poema
Mesmo que nada em mim

Tenha um rosto
Para virar

Em direção ao verso

A cidade pressente a treva
E a noite não é mais

Que um diluvio de sombra

Mas preciso urgentemente
Escrever um poema

Antes que escureça

Meus olhos
E minhas mãos

Não seguram
A palavra que passa

A ausência me impede
Com sua mão enorme

E sou como um boneco
De ventríloquo

Que ninguém manipula

Os olhos abertos
E a face muda

Os computadores todos escrevem:
Não há poesia

Mas preciso escrever um poema
Com a urgência

De quem sangra
Sem que se perceba

Preciso escrever
Esse poema

Para que ele me convença

Everton Behenck

Quem não conhece Maria Rezende, deveria.
Essa poeta carioca, além de escrever lindamente, diz poesia de um jeito. Mas de um jeito. Mas de um jeito.
Se eu pudesse trocava de poeta para dramaturgo da Maria.

Conheça a moça aqui: http://mariadapoesia.blogspot.com.br/

O vento
É sempre um bom

Conselheiro

Porque fala
Do que é invisível

E precisamos tanto disso

O vento
É a língua

Do tempo

E nos ensina
O que é eterno

Em sua lição
De verbo

Infinitivo

O vento é sempre
Um bom amigo

Em sua conversa

De galho
Batendo

Na janela

O silêncio do vento

É nossa própria
Consciência

Sussurrando sua presença

Everton Behenck