You are currently browsing the monthly archive for outubro 2016.

Tento desenhar teu rosto novamente

Com a luz das palavras

Há palavra que ilumina
Há palavra que não diz nada

Triste mesmo
É quando são exatamente a mesma

Como agora

Só quem já chorou
Por não poder olhar nos olhos de alguém

Sabe o que é ser cego

E não há cegueira maior
Que a escuridão deliberada

Quando havia tanta luz
Onde agora não há nada

Quando você
Não quis me olhar nos olhos

Quando isso
Era todo contato possível

Queimou a retina do verso
De amor honesto que eu tinha

E voltei com a pálpebra dobrada
Depois amassada

Depois os olhos jogados no lixo
Esquecidos do que nunca viram

A pior imagem
É a miragem

Que a gente inventa e acredita
Só para ver alguma coisa bonita

Amor não é isso
Amor é essa foto

Que já não sei revelar

Tirada ainda
Com aquele velho filme

Que já não se fabrica

Everton Behenck

Anúncios