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O amor não irá nos salvar
O amor é forte
Mas ainda não é força

O amor não supera nada
O amor

Só mostra que existe o outro lado

Para que você salte sozinho

O amor não é o ponto de partida
Nem o ponto de chegada

O amor é o caminho

E sobre ele
Só anda quem não teme perder de vista
O amor não é um lugar para pedir abrigo

O amor chove do lado de dentro

O amor não é suficiente
Para que as pernas se movam

Ele é o motivo
Não é o motor

O amor é só um aceno
Quem corre somos nós

Quem precisa ser forte
É a carne não o amor

Quem precisa vencer as barreiras
São as mãos no exercício do carinho

São as palavras na dicção da delicadeza
O amor não justifica nada

O amor é só um vento
Mesmo sendo capaz de mover e revirar

O amor não vai soprar
Em vão por muito tempo

O amor é muito sutil e muito ingenuo

Quem precisa gritar somos nós
Para multiplicar a voz

Nós precisamos dizer através do amor
O amor não falará uma palavra

Ele não fará nosso trabalho

Árduo

O amor virá morar conosco
Mas somos nós

Com as mãos vazias
Que devemos construir a casa.

O amor não precisa de nós

O amor não nos deve fidelidade
Não nos deve respeito

O amor não nos deve nada

O amor pode ir embora
Quando bem entende

E o amor não prende o amor nos dentes
Somos nós

Com nossa pouca imensidão
Que temos de crescer

Nós que só rezamos ao espelho
É que devemos ter fé e doação

O amor não é o santo
Nem a oração.
Nem o milagre

O amor só aponta o dedo e pergunta da porta:

E agora?

Everton Behenck

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Ele
Despediu-se

Da esposa
Da sombra

Da árvore
Em frente a casa

Da fruta
Que gostava

Despediu-se
De dúzias de camadas

De afeto desfeito

Do porteiro do trabalho
Com quem havia brigado

Por um carro estacionado

Disse adeus
A cada funcionário

Chato

Olhou para todos
Os lados

E nasceu outro
Em seu choro

Everton Behenck

Será que foram as preces
Que eu não fiz

Que te trouxeram pra mim

Que movimentos imensos
De astros que não vejo

Na órbita limitada
Dos olhos

Te trouxeram

Que destino
Escrito

Nessa língua
Em que sou tão analfabeto

Te pôs perto

Para que eu enxergasse o afeto
Como a aparição

De alguma santa
Que revela segredos

A seus eleitos

E esses
Nunca mais são os mesmos

Que tipo de milagre
Revirou o tempo

Para que uma mulher
Me fizesse voltar a ter fé

Everton Behenck

Entrarei no taxi
Rumo ao aeroporto

E ao descer estarei em frente a tua casa

Entregarei o bilhete
De embarque

E meu dedo tocará a campainha
Do seu prédio

Entrarei no avião
E o corredor levará

Ao seu apartamento

Apertarei o sinto
E escutarei teus passos

Vindo

Ao colocar os pés
Em outra cidade

Você me dará a mão
Ao descer as escadas

Esperando o motorista
Abrirei a porta do meu carro

Para que você entre

Entrando no hall
De um hotel estranho

Te pedirei um beijo

Antes de abrir a porta
Da minha própria casa

Largarei a mala
Como se fosse sua bolsa

E deitarei na cama
Como se você estivesse ao lado

Fecharei os olhos
E por um momento

Estarei onde está meu pensamento

Everton Behenck