You are currently browsing the monthly archive for julho 2010.

Uma senhora
Desligou ansiosa

O programa de variedades
Da tarde

E procurou um disco
Antigo

Para ouvir
De olhos fechados

Um carregador de móveis
Largou um sofá
E sentou-se

Leve

E o senhor
Com a vassoura

Varreu folhas
Como se fossem flores

E inventou seu perfume

E uma quadra inteira
De prédios

Amenizaram seu concreto
E os passos alargaram
O sentido

Da calçada

Porque falávamos
De mãos dadas

Everton Behenck

PS: Vou pro Rio amanhã.
E vou divulgar os Dentes da Delicadeza por lá.
No Corujão da Poesia. E quem sabe outras cositas.
Então. Acho que só volto a postar aqui na outra segunda.

Beijo!

Anúncios

A menina
Pôs-se

De costas

Mais a si
Que a ele

Não queria ser vista

Pelos tantos olhos
Que ele tinha

Uns de leveza
Outros de ilha

Uns maldiziam seu nome
Nas pupilas

Algum a queria

Ela se voltava
Para todos os lados

Sem saber que girava
Em torno de sua própria

Órbita

Sem saber que em seu medo
Só conseguia ir em direção ao tempo

Everton Behenck

Esse desejo
De morar em frente a uma praça

Ver brincar uma criança
Que nunca saberá

Do que é feita a infância

Essa vontade de acreditar
Que somos inocentes

E que cometemos nossos erros
Por medo e desejo

De que tudo se quebre

Para quem sabe
Acabar logo

A angustia

De andar no escuro
Do mundo

Somos apenas um vulto

Mas até para isso
É preciso luz

Entrando

De algum canto

Everton Behenck

Na palma da tua mão
Cabe todo carinho

Por isso preciso
De teu aceno

Na palma da tua mão

Escrevi meu nome
E um número de telefone

E nela repousaram
Tantas horas

Até que você ligasse

Na palma da tua mão
Encostei minha face

Para que ela contasse
O que precisava ser dito

E todo o entendimento
Coube no centro

Da tua mão

Nela
Uma cigana verá
Meu destino

E acreditarei
Em tudo que ela disser

Tua mão
É a mão da fé

Everton Behenck

Se alguém estiver de bobeira em sampa vai pro Vegas que vai rolar o rocks.

Poesia só semana que vem, galera. Quando passar a ressaca desse findi.

beijos!!!

De repente
Não vou mais ter tanta sede

Nem vou procurar justificativas
Para atravessar o dia

E não me importarão
As injustiças

Nem as falsas carícias

E não me doerão as articulações
Políticas

Nem os tapas nas costas
Com as mãos imaginando socos

Nem os sorrisos ocos

Nem os loucos se extinguindo
Nem esses móveis e utensílios

Urbanos

Que as pessoas vem se tornando

Não me importarão
Os críticos

E insípidos

Nem os vícios
Que me confiscam os sentidos

De repente não me importarão
As grandes
Nem as pequenas dores

E finalmente merecerei flores

Everton Behenck