O vento varre
Com uma fome

De ciclone

Até o último canto
Da memória

Tudo se agarra
Ao que pode

Mas nada pôde
Deter

Vestidos
De vertigem

Todos passam
Voando

Desperdiçando
Suas crenças

Em orações
Pedidos de amor

Cobranças
De toda a esperança

Ausente

E não lembro
Direito

Se os sorrisos
Eram desespero

Ou saudade

E de súbito
O fim do vão

O chão
Era uma porta

Fechada

Everton Behenck

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