Pernas

Entre elas

Um espaço de fome

 

Como a boca de um monstro

Como o gosto de sangue

Na língua cortada

Por um beijo afiado

 

Pernas

Como duas sentinelas

 

Guardando o óvulo

Feito ave

 

Moldura de carne

 

Nas curvas suaves

Um olhar agudo

 

O sangue fugindo

Quando a mão enforca a perna

 

Condenada

A passar a noite desperta

 

Pernas

Abertas

 

Para que um homem

Entre elas

 

Se ofereça em sacrifício.

 

Everton Behenck