Amar o vento
É entender que não sabemos

Quando se aproxima
Nem porque termina

Amar o vento
É se declarar ao invisível

Sem saber se está sendo ouvido

E não ver nenhum mal
Nisso

O amor quando precisa
Ser dito

Nem sempre precisa
Ser ouvido

O amor sempre tem
O direito

De existir em si mesmo

Amar o vento
É nunca tentar contê-lo

É saber usá-lo
Para inflar as velas

Saber ir aos remos
Quando o perdemos

Amar o vento

É saber guardar para sempre
A lembrança

Da tarde mais quente

Em que ele soprou mais forte
E espantou a morte

E a morte é o tédio
E o tédio

É o contrário do vento

Amar o vento
É amar o movimento

Entender o ritmo das árvores
E o verde em sua música

Amar o vento

É saber dizer adeus
Às nuvens

É abrir mão dos seus desenhos
Para nunca perdê-los

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