É o que a gente cala
Que ensurdece

São essas coisas

Que a gente vai colocando
Como agulhas sob as unhas

Fingindo ar sereno

São esses venenos
Onde a gente lava o rosto

E seca a voz

São esses sapos
Que a gente planta na garganta

São esses pequenos medos
Cotidianos

Que nos roubam os anos

São os camundongos
Andando em nossos cantos
É a torneira fechada que não para:

Sonhos

Planos

Medos

Quanto

Nada

Everton Behenck

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