Tudo
Lentamente

Dentro de mim
Se petrifica

A voz de pedra
Caindo da boca

Aberta

Dizendo coisas
A si mesmo

Que multiplicam o peso

Sob a pele
Pedra incandescente

Queimando o que antes
Amava livremente

O sonho de pedra
Cada vez mais bruta

De que duas pessoas possam mesmo
Ficarem juntas

Tenho medo
De ser tão concreto

Minhas mãos de pedra
Os dedos de pedra

As costelas de pedra

E a dor imensa
De tirar dos olhos
O pequeno brilho

De um cristal aflito

Everton Behenck