Eu não curto filmes
Com cães e bebes

Nem candidatos
Que parecem cães e bebes.

Eu gosto mais
Dos animais

Do que gosto
De pessoas que gostam de animais

Quem nos protege delas

Eu não curto as fotos
Que tem um propósito definido

E mal escondido

Eu não curto os recados
Cifrados

As mensagens sem endereço
Esse exibicionismo do segredo

Eu não curto

Os eremitas
Olhando sombras virtuais na parede

Que compartilham sua solidão
E nunca ficam sós

Eu não curto muito
Quando percebo os jovens

Me envelhecendo

Porque não compreendo
Sua velhice

A juventude deveria ser ingênua
E louca

E por isso única
E de razão infinita

E morta de vontade
De empurrar as paredes

Temos muitos trilhos
E poucas locomotivas

Muitos gênios
E pouca genialidade

Eu não curto nenhum pouco
Essa confusão que estamos fazendo

Entre arte e opinião
Opinião e piada

Preconceito
E intimidade

Não curto as fotos
Dos pratos
Dos chefs de cozinha

Que preparam cuidadosamente
As historias mais cheias de aromas

E falta de provas

Eu não curto
Essa propriedade
Antes exclusiva da página em branco

De aceitar qualquer coisa

Eu não curto muito
Esse ativismo de sofá

Mas acho muito melhor
Do que deixar de falar no assunto

Eu coloco aqui esses poemas
Sem fazer a mínima ideia

Do motivo por trás disso
E me sinto

Muito ridículo

Acho que é meu jeito de rezar
Mas não curto nenhum pouco

Tudo que é religioso

Eu odeio
As mensagens de fé

Que me ofendem a crença
Eu não curto esse extremismo

Mas estamos em guerra

Ateus e todos os outros
Tipos de tolos

Deus está tentando
Governar nossa maior cidade

E nunca tivemos tanto medo

Mas o que eu curto
Muito mesmo

É ver todos tão empenhados
Em pintar seus auto retratos

Everton Behenck