Um poema
Não serve para nada

Nessas horas

Agora que não está em mim
Nenhuma gota

De lágrima ou lama

É preciso secar
E devorar a fome

Até que se quebrem os dentes
Em sua força

De tanto morder
O vazio da boca

Não me serve de nada
A poesia

Agora

Nem para riscar na pele
Um verso alegre

É preciso deixar a epiderme
Devorar seus vermes

Em paz

E o verso não serve
Para digerir

O que nos morde

Um verso agora
Não é possível

Por isso me agarro a ele
Com tanto carinho

Everton Behenck

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