Aquilo buscava no peito o suspiro imenso. Tanto ar. Era urgente. O salto do sapato no chão, de novo no chão, o salto de novo no chão, o salto, o salto de novo. Correndo, onomatopéia. A saia assaltada. Tanta pressa. Correndo de medo de que fosse tarde. Correndo como quem corre atrás da mesma coisa que a persegue.

O salto no chão. De novo. O cabelo atirado. Uma vez para cada lado. O salto no chão. De novo.

Rápida no que as pernas intuíam. Era medo. E se perdê-lo. E se ele não souber. Nunca souber. O passo. E se ele se deixar partir. De novo no chão. Sem saber disso que ela sente enquanto corre sozinha. O salto. De novo. Não consegue deixar de pensar em como pôde ter entendido só agora. O salto. Quebrado. A mão arranhada na palma. Sem sapatos. O passo nu. De novo no chão. Como não viu. Ainda não vê. Mas sabe com tanta força que não questiona.

Precisa correr. O passo no chão. De novo o passo no chão. O corredor do prédio. Correndo. Mesa, porteiro, extintor, porta-capacho, parede parede, porta-capacho, parede parede, porta-capacho, parede parede. Elevador. Dor nas mãos. Grade fechando e o elevador subindo. Lentamente. Ela olhando a parede. Respirando todos os andares. A parede descendo. Um, dois, três, quinze, vinte. Cinco minutos. O segundo andar não chegou nunca.

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