Fui eu
Quem te fez assim

E carregou
Pesada e cegamente

Teus braços
Tuas pernas

O caráter das tuas mãos
Incapazes

De um gesto covarde

O medo
E o susto

De que o tempo
Realmente passa

E não há outro lugar
Para escrever

Que não o rosto

Fui eu quem te fez
Para que tu fosse

Essa contradição

Para que tu
Te libertasse

Para entender

Que é tarde
Sem que seja

(O tempo e suas proezas)

Fui eu
Quem te deixou falar

E cortar a mão
Para ser lembrado

Acordar é necessário
Até para quem está acordado

Everton Behenck