Delicadeza
As duas mãos
Batendo no chão com força

Cavando cada vez mais fundo
Palavra por palavra

As unhas embrutecidas
A dor contínua

A ansiedade das juntas
Em se manterem adultas

A terra removida

Sonho por sonho
Em um desespero brando

O desterro

Os ossos partidos
Do sentido

O amor sujo de terra

Os joelhos marcados

As duas mãos batendo

Para arrancar a raiva
De cada palavra

Para dizer o que é agudo
Sem que se quebrem os dentes

Os dedos cavando

As mãos batendo
Tanto tempo

É sempre imenso
O que dizemos sentindo

Everton Behenck

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