Quero algo que guarde
O que há de milagre

Na tarde

Sempre dizendo um texto
Se desfazendo

No tempo

Lembrando
Que atravessamos o dia

Sem nenhuma justificativa

Quero algo que guarde
O que há de milagre

Na mulher que dança
A nossa frente

E enche a vida de motivos
Para estar vivo

Quero algo que retenha
Por um minuto que seja

A beleza

Do flerte inocente
Do gozo forte

Entre as pernas

Da boca no seio

Ela mordendo
O lábio

Na fome dos olhos

Quero muito
Algo que segure
Por apenas um segundo

O que há de milagre
No que sonhamos

Quando fechamos os olhos
Pela última vez

Everton Behenck

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