A duras penas
Pena o peão
No tabuleiro

De concreto e canteiro
De obra

Um prato à mesa
A cesta básica

A coragem
Que só dá
A fome que tem
De viver

Melhor

A panela rasa
Feito a cova

Que não tem para cair
Mestre na arte de insistir

Mestre de obra

Nesse ofício
De se manter vivo

Quanto sorriso
Em sua ausência

Quanto ritmo
Em seus calos

No tijolo do seu peito
Um rachado

Bem no meio
Divide a pedra do pedreiro

E não há cimento
Que concerte o sentimento

De estar sempre fora
De casa

Everton Behenck