Minha defesa
É a cegueira dos dentes

No que mordem

O rosnar de um verso

Essa consciência
De que nada
Será explicado

E de que o último momento
Será de imensa solidão

E medo
Ao mergulhar no segredo

Me defendo

Na aceitação de que escrevo
Querendo me despir

Mesmo sabendo
Que essas roupas não servem

A ninguém

E que ninguém verá minha pele
E que tudo o que digo

É breve e raso

E que não saberei dizer
O que sinto

Porque esse idioma
Ainda não foi inventado

Há sempre uma margem
Da linguagem

Que não pode ser alcançada
Por nenhuma palavra

Tento me defender
Na esperança

Rarefeita

De um amor
Mesmo quando despedaço

O sentido frágil
A mulher é um destino inevitável

E no amor
Somos humanos

Ao menos um pouco

Me defendo nos planos
De manter a dignidade

Cultivar meu caráter
Mesmo que aos olhos

Alheios

Ele não caminhe reto
Ao que acham certo

Me defendo seguindo a certeza
Estreita

Da minha natureza

Everton Behenck

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