Ela deitou em minha cama
E dentro dela
Me fiz à parte

Bati asas

Ela voltou para casa
Olhou o espelho
O seio cheio
De espera

Ela agora
Me continha

E deitada em sua cama
Imaginou a barriga
Desfazer sua planície

Amanhecer

Imaginou meu beijo
As mãos em volta

O ouvido colado
Os olhos fechados

Pedindo ao menino
Que venha
Para que eu veja seu rosto

E compare as semelhanças

O nariz
A boca

O jeito
De não chorar direito
Quando dói

Chorou ao imaginar o berço

O brinquedo pendurado
O verso
Como certidão de nascimento

Do que seria
O filho da poesia

Everton Behenck