Não quero que lhe doa
A brutalidade dos meus olhos

Olhando os cacos
Dos teus sonhos

Sonhar é sempre
Um ato estranho

De renúncia

Não quero que sinta
O frio na espinha

Ao ver que a vida
Sempre se vinga

Mesmo que a culpa não seja sua

A maldade anda sempre nua
E sempre convida entre as pernas

Sempre tão fácil
Excitar seus atos

Natos
Em nossa natureza

O homem não consegue
Esconder os fatos

Que denunciam
Sua incapacidade

De olhar a verdade
Aceitar sua finitude

O homem é rude
Em sua essência

De bicho
Indefinido

Maldito
Na (im)possibilidade

De humanidade

E não preciso
Que me lembre

Sempre

que sou isso

Everton Behenck

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