A vida
É bela justamente
No que esconde

Quando não explica a fome
Quando derrama sangue

Sem razão

É linda no choro
Falso e público

De uma tragédia privada
Televisionada

É linda

Quando uma última palavra
Não diz nada

Quando um homem se mata
Sem deixar bilhete

Ou razão aparente

É bonita
Quando alguém não acredita

E mesmo assim
Ama, grita e chora

E ignora os fatos

E se engana repetindo alto
Uma mentira
Que vira

Verdade

Só para que o peito se acalme
(a verdade não é para os covardes)

É bela
Na fragilidade
De precisar da eternidade

Para suportar esse segundo

Esse
Que agora
Mora

Na palavra anterior

E que é sempre
Um lembrete

Da morte

Everton Behenck

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