Não me diga beijos
Que minha boca
Demorou muito
Para escondê-los

Na sala dos fundos
Do peito

E hoje
Seria preciso
Partir as costelas
Para tirá-los
Lá de dentro

Não envie abraços
Passados

Que para tirar teus braços
Da minha cintura
Foi preciso a amargura
Das mãos

E na palma
Ainda está marcado
Um amor crucificado

E não ofereço mais
A nenhum Deus
Esse sacrifício

Não envie teu corpo
Tua sede

Que para desfazer teu seio
Em meus lábios

Foi preciso um século inteiro
De celibato

De desencontro
Em outros corpos

E tornar agora
Àquela cama
Me tiraria o sono
Por mais mil anos

Não me traga agora
De volta
Teus olhos

Que não faz muito tempo
Que voltei a ver meus olhos

No espelho.

Everton Behenck