Procurei
No bolso da calça
Em todas as casas

Estavam vazias

A poeira
Respirando o tapete
A solidão cobrindo a mobília

Procurei na cadeira
De trabalho

Na tela em frente
Na gaveta ao lado

No guardanapo
Onde uma mulher

Escreveu seu telefone
E um nome

Ilegível

Procurei no grito
Mas o desespero
Gritou comigo

Mais alto

Procurei aflito
Em um comprimido

Estava lá
Pude tocar

Mas quando olhei as mãos
Não eram minhas

E tive de esperar por mim
Antes de seguir
Procurei em ti

Não estava

Mas fiz uma parada
Para descansar

Everton Behenck

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