Gosto do que há embaixo
Da pele

Subcutâneo

Emaranhado na veia

O medo enterrado
Com todo o cuidado

Nos punhos fechados

Gosto do submundo
Onde a puta ostenta
O dinheiro e suas ofensas

Enquanto o amor espera
Enterrado em seus ovários

Onde um bêbado
Chora álcool

Corroído de lágrimas
No estômago

Onde um menino espera
A infância

Soterrado em uma montanha
De pedras

Acesas como velas

A um santo
Subhumano

Na fé ao avesso
Gosto do que é submerso

Isso

Que não chega à tona
Dito sem sombra de dúvidas

No franzir do rosto
No amanhecer dos dentes

No olhar de quem sopra
Um café quente

Gosto tanto
Do que é subterrâneo

Essas coisas
Que se encontra cavando fundo

Mais fundo

Tão fundo

Peito a dentro

Everton Behenck

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