Eu quero essa vontade

De chorar sorrindo

 

Uma felicidade inteira

Nem que seja

 

A de um copo de cerveja

 

O olhar de um amigo

Que não se sustenta

 

De tanta leveza

 

A lembrança de um abraço

Para deixar guardado nas costas

 

Como as asas de um anjo

Para rezar de vez em quando

 

Eu quero ver a chuva

Como uma alegria de lágrima

 

No olhar da calçada

 

Como se o céu

Jogasse em meu rosto

 

O cansaço da corrida

Através do dia

 

Contente em seu caminho

De nunca chegar

 

Quero olhar a noite

E não me importar de estar insone

 

Na presença de uma estrela

Brilhando tristeza

 

Que de tanta beleza

Se alegra

 

Em sua solidão de aço

 

Sabendo que no espaço

Ninguém se aproxima

 

Eu quero o que emociona

Toda a inutilidade

 

Do que tenta ver sentido

Em seu desespero contido

 

Olhar demorado

A mulher amada dormindo

 

Eu preciso

Dessa vontade de chorar sorrindo

Everton Behenck

*Para o Marcelino Freire, o Pena e o Reginaldo às 5 da manhã.

(Paulo Scott. Foi um prazer, véio. Pena tu não ter ficado mais tempo)

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