Quanto silêncio

 

Não há voz

Nenhum som de luz

 

Não há pássaro

Batendo suas asas

 

Voando para fora

 

Não há passos

Na varanda da minha alma

 

Ninguém abre

Nenhuma porta

 

Alegre por estar de volta

 

Ninguém ouve

A vela queimando uma oração

 

Os dedos entrelaçando a mão

 

Nem o som de um gemido

Repetindo o movimento

 

Dos seios

 

Gozando alto

Um segredo

 

Entre as pernas

 

Não se ouve

Aquelas vozes

 

Da infância

 

Nem o desaparecer

De sua lembrança

 

Nenhuma criança

Dança

Uma música

 

Ninguém ouve a angústia

Gritando

 

Na barba de um velho

Nos cabelos brancos

Chamando

 

A cova

 

Não se ouve nenhum beijo

De despedida

 

No silêncio da minha vida

 Everton Behenck