Um anjo caído

As asas partidas

Pelo vôo avesso

 

Rumo ao chão do peito

 

Da harpa

Sobrou a farpa da madeira

Na palma da mão

 

O sangue nos joelhos

De tanto cair

Quebrar

E tornar a ser inteiro

 

Do céu restou

O canto

E é só o que sabe de rezar

 

E nunca ouviu a voz de Deus

Prometeu

 

Erguer no meio da alma

Uma catedral de palavras

De amor

 

E na porta da frente dos olhos

Pendurar a tristeza

Como bandeira

 

Para que saiba

Quem visita a casa

 

Que deixou lágrimas

Ao cair do céu

 

Em si

 

E só encontra paz

Na boca de uma mulher

E só é capaz de chorar

 

Na presença do amor

 

Um anjo

Tão oposto ao santo

 

Na imagem

 

Um anjo

Demasiado humano

 

Um anjo

Precisando tanto

De um anjo

Da guarda

Everton Behenck