Tenho medo

Que venha outro dia

E seja o mesmo

E os ponteiros

Saibam fazer só os mesmos

Minutos

E que a vida fique inútil

Em sua exuberância

 

Essa força

 

Que força tudo a frente

Vem da gente?

Se não vier

Me assusta

 

Tenho medo

 

Que alguém diga

Que talvez nem mesmo o dia

Repetido

 

Exista

 

Ou que mesmo que ele exista

Não importa

Tenho medo das portas

Que não levam para a rua

 

Tenho medo

 

Do que não se contorce de medo

Tenho medo dos olhos baixos

E mais medo dos que olham de lado

 

Tenho um medo crescendo

Quando penso

 

Tenho medo

 

Que nos seja revelado um segredo

E que ao menor sinal de entendimento

A resposta desintegre

A ti, a mim e ao medo.

 

Everton Behenck

 

 

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