Queria o exílio

 

A distância

Assumir a fraqueza

Renegar essa tristeza

Essa ausência de certezas

 

Me fazer de novo ímpar

Envolto em um amor contrário

Onde não há ser amado

 

Voltado para dentro

Caminhando sozinho

 

No peito deserto

 

Afinal é certo?

Ferir tanto

A si mesmo?

 

Será mesmo preciso?

Matar o amor

Para o amor continuar existindo?

 

Nada disso faz sentido

 

O que faço comigo?

Contraditório

Multiplicado em tantos

 

Espantos

 

Procurando a verdade

Pesada

No fundo da alma

 

Procurando o sagrado

Na sala onde Deus foi assassinado

 

 Everton Behenck