Quem quer para si

Um verso atormentado?

Uma palavra que sofre

No silêncio do seu próprio sentido

 

De que serve o peito

Oprimido

Que carrego

 

Inexorável?

 

Não sei do amor

Nem sei da carne

 

Mais do que qualquer outro bicho

Sabe

 

Não sei para onde vai a tarde

Que a noite engole

 

Enorme

 

Não sei para onde nos leva

A morte

 

Não sei nada

De ser são

Nem de iludir

 

O espelho

 

Dentro de mim

O que há de metafísico

É a impressão desse espaço

Imenso

Que não poderia caber no peito

 

E ainda assim é aqui dentro

Que me perco

 

Não sei da beleza

Dos sentimentos

 

De perto tudo é feio

Voltado para dentro

E o amor não passa de um vício

De prazer e sacrifício

 

O único paraíso que conheço

É químico

 

E só espero do mundo

Que termine

 

O sol farto explodindo

 

Quem gostaria de percorrer comigo

Esse vácuo de sentido?

 

Torcendo para que não exista outro início

Everton Behenck