Eu só queria um silêncio digno

Para esconder a fome

 

A falta

 

As marcas que o passo do velho

(tão fora do tempo)

Deixou nos meus olhos

 

Com seus sonhos de pedra

Que vejo pesar tanto em suas costas

 

Eu só queria não ver as mulheres

Derramando suas paixões em minha pele

Como se o desejo fosse uma flor a ser regada

 

E não uma sentença

 

E cada beijo uma prece

Uma graça não alcançada

 

Eu só queria fazer a palavra

(onde me afogo)

Valer a pena.

 

Acreditar nos carros e prédios

Na dureza do asfalto

 

Mais do que creio na sorte

Ou nos santos

 

Esses que não vejo, não sinto

E não rezo

 

Eu só queria não ser tantos

Acertar o passo

 

Para que a calçada me responda

Para que a morte me esqueça

 

E a paz visite minha alma.

 

Everton Behenck