Como se agitam entre as horas

Passadas

Cada prece que não fizemos

O milagre que rejeitamos

 

Cada promessa a si próprio

Desfeita logo adiante

Por um riso de mulher

Por um par:

 

Olhos de nuvem

 

Que saudade

De cada palavra

Que secou no pensamento

E não foi nem mesmo

Jogada para aliviar o peso

 

Como me assombram

Os escombros, os restos

O que mora nos cantos

 

Os medos tremendos desse mundo

Esses que não devo nem mesmo

Confessar ao segredo

 

Para não lembrar à força

Que até a força tem medo

 

Como respiram ainda

Segredos de cama

Os carinhos da ternura

Seduzida e nua

 

Esses amores cadentes

 

Como ainda estão presentes

Meus Deus

 

Esse respiro rouco

Jogado em meu ombro

O suor de um, servido ao outro

 

A mulher alheia

Areia correndo o tempo

 

Mulher do caminho longo

Como os cabelos

 

De um querer longínquo

 

Como está presente

 

Uma mulher com o peito ofegante

Que me serviu de casa

Quando nem aqui dentro de mim

Eu estava

 

Como tudo vive, ainda.

Dentro da minha vida

 

Everton Behenck