Queria saber do amor

Da mão da amada

À minha mão

 

Abraçada

 

Na ilusão

De que um par de mãos podem conter o tempo

Com um tato de amor sedento

 

Queria saber da palavra

Que revela a alma

 

Queria saber do amor

Que de tanto desejo

Aparenta infinito

E ainda assim é tão menor que a libido

 

O querer etílico

O sexo

 

Ardendo como um incesto

 

Matando o amor ainda no berço

Asfixiado por um beijo

 

Alheio

 

Pondo a lápide em um amor velho

O mármore do adultério

 

Um sentimento imenso

Indefeso

Frente ao gosto de outro corpo

No corpo que de tão perto

Confundiu consigo mesmo

 

E chamou o amor de erro

E jurou em vão nunca mais cometê-lo

 

Queria saber do amor

Seus segredos

Do medo de amar das moças

 

Tão santas segurando o seio

Mas que entre as pernas

 

Desejam

 

Queria saber do peito

Da menina devassa

Que se entrega e escancara

Porque lá dentro não há nada

Só a carne latente

 

Será por isso seu olhar ausente?

 

Queria saber das putas

Quanta luta

Para amar mais ao dinheiro

Que o carinho lindo e raro

Nos minutos comprados

 

Que lhe adoça a pele alugada

 

Mas que no fundo não é nada

Além de um menino

 

Fugindo

 

Para dentro do seu corpo

Quanto desgosto nessas almas

Para as quais o amor já não diz nada

 

O que lhes bate no peito?

 

Quem sabe a vida impelindo o tempo

A eterna espera

Que acabe

 

Ou será que só elas sabem

a verdadeira face

Quem sabe só as putas amem de verdade

 

Queria saber da tarde

Ainda existem jovens casais nos parques?

O que eles sentem?

 

Um amor cadente?

Que faz no chão do peito

Uma cratera

A doer por eras

 

Mas quem sabe nela

Mora ainda

Como um eremita

Escondido

O único amor possível:

o primeiro

 

Onde amor, desejo, sexo

Por um momento tiveram o mesmo nome

O de um menino insone

Uma menina insana

Na loucura de se imaginar na cama

Pela primeira vez

 

Queria tanto saber do amor

Sua aparência

 

Para que meu olhar o reconheça

 

 

Everton Behenck