Tenho a casa vazia

E uma taça sobre a mesa

Pedindo companhia

 

Uma toalha de rosto

Onde não se vê sorriso

 

Um vaso pedindo flores

Aos pares

 

Pedindo que troquem a água

Dos olhos

 

Tenho uma chave na porta

Sem cópia

 

Meio reflexo

No espelho

 

Tenho uma cama

De solteiro

Mesmo que ali

Caibam dois corpos

 

Tenho dois travesseiros

E só um acorda amassado

O outro amarga as olheiras

 

Tenho uma mesa

E nela um controle remoto

Que não sabe das pequenas brigas

Pelo programa de auditório

 

Tenho um armário

Que me entrega as roupas

 

Calado

 

E um cabide solitário

Gavetas esquecidas

Das roupas estampadas de alegria

 

Tenho toda uma vida

Pedindo para ser dividida

 

Everton Behenck