Não quero que lhe doa
A brutalidade dos meus olhos
Olhando os cacos
Dos teus sonhos
Sonhar é sempre
Um ato estranho
De renúncia
Não quero que sinta
O frio na espinha
Ao ver que a vida
Sempre se vinga
Mesmo que a culpa não seja sua
A maldade anda sempre nua
E sempre convida entre as pernas
Sempre tão fácil
Excitar seus atos
Natos
Em nossa natureza
O homem não consegue
Esconder os fatos
Que denunciam
Sua incapacidade
De olhar a verdade
Aceitar sua finitude
O homem é rude
Em sua essência
De bicho
Indefinido
Maldito
Na (im)possibilidade
De humanidade
E não preciso
Que me lembre
Sempre
que sou isso
Everton Behenck

2 comments
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Agosto 25, 2008 às 22:59
Fernanda Copatti
Me identifiquei muito, com o conjunto das palavras que traduzem as impossibilidades dos sonhos. Dói demais…
Beijos
Agosto 27, 2008 às 05:36
Guto Leite
Salve doutor, está mais do que na hora de parceirarmos um samba qualquer dia, hein! Deixa só eu vencer meu estigma de estrangeiro e começar a sair de casa, que a gente junta os esforços numa casa de bamba. Grande abraço!