You are currently browsing the monthly archive for Dezembro 2007.

Por hoje é só.

Valeu a quem leu.

Acho que em Março eu volto.

Quanta solidão

Nesse grão de poesia

 

Para onde iria?

Quem poderia abrigar?

 

Essa imensidão contida

Em uma palavra

 

Esse horizonte

Sempre na mesma distância

 

Sem se importar com os passos

Em sua direção

 

Não há ombro ao lado

Não há passo intercalando meu cansaço

 

Os moinhos de vento

Se tornaram monstros

 

E todos correm ao meu encontro

Me querem a alma

 

E não há escudeiro

Só esse vazio do lado esquerdo

 

 Everton Behenck

Eu juro

Não menosprezar as flores

Quanta dureza

Se desfaz na presença

De uma única pétala

 

Juro não ser reto

Que o homem reto

Acaba sendo

Prisioneiro do seu próprio sentido

 

Pré-definido

 

Não sabe da curva

E depois dela

Sempre o mistério

 

E quero tanto

Acreditar no que não vejo

 

Juro satisfazer todos os desejos

Que prazer

É a única palavra

Que todos entendem

 

E como entorta a alma

A falta que reclama seu momento

 

De direito

Juro não reclamar do tempo

 

Que passe

 

Juro não pedir de volta

A tarde que vai embora

 

É sempre agora

Por mais que a gente lute

 

Juro dizer mais acredite

Que esqueça

 

Mesmo que isso não aconteça

 

Juro acreditar

Em todas as promessas

Para que a decepção

Em sua honestidade

 

Mostre

 

A verdadeira face

Para que eu ofereça

Um sorriso de adeus

 

Juro não dar todos os dias

Pelas ditas

 

Conquistas

 

Para não deixar rastros

Na despedida

 

Juro encarar a vida

Morder seu pescoço

Para sentir o gosto

 

Juro ter um passo rápido

Só de ida

 

Mesmo que a estrada

Não exista

 

Everton Behenck

Meu peito

É uma catedral vazia

Na quarta-feira de cinzas

 

No centro do meu peito

Senta-se um bêbado

Com seu último copo de whiskey

Sem gelo

 

Meu peito

É o dinheiro que paga a puta

A lâmina de onde o sangue

Não desgruda

 

No meu peito um louco uiva para a lua

E de dentro do meu peito

Um peito luta

 

E uma mulher nua

Espera o amor

Úmida entre as pernas

 

Meu peito é a treva

Onde um coração bate sozinho

Por não saber o caminho

 

Everton Behenck

 

Desfaz esse vestido

Que não acho sentido

No teu corpo vestido

 

Senão de versos

 

Desfaz o vestido

Em resposta

 

À mão que toca os cabelos

Como quem pede um segredo

 

Indizível

 

Desfaz esse vestido

E deita

 

Para a boca

Contar ao seio

 

O calor da língua

 

Para a mão

Contar à cintura

 

A força dos braços

 

Desfaz esse vestido

Em um gemido.

 

Ainda há tanto o que se emocionar

Tudo tão repleto

De simetrias

 

Lindas

 

Essas rimas

Da vida

 

O colega de trabalho

Que senta ao lado

E nunca esteve tão distante

 

O vendedor de mapas na esquina

O mundo nas mãos

E nenhum horizonte

 

O homem que corre

No parque

Do que ele foge?

 

Da morte

 

Um motorista de plantão

Esperando o próximo passageiro

Com pressa

 

Mesmo sabendo que todos os sinais

Estão fechados

 

Um mendigo ao lado

Há mais alegria

Nas roupas sujas

Do que na barriga vazia

 

Mas não é a fome que come a alegria

 

Lá dentro é sério

 

Seu olhar atravessa paredes

Porque já esteve em todos os lugares

Foi todos os homens

 

Sabe que não há verdade

Nem saída

 

Por isso observa a vida

Sujo e descalço

Já deu o último passo

Sem ter para onde ir

 

Chegou

 

Há tanto o que se emocionar

 

Com a menina que nasceu ontem

Com suas roupas rosas

Bordadas de doçura

 

Tomara que não sofra

Além da conta

 

Quando um homem

Lhe ferir o peito

Com um beijo

 

Os homens são sempre avessos

 

Quanta emoção em seu choro recém nascido

De quem ainda não entende nada

 

Antevendo saber

Que isso pouco mudará

 

O amor há de compensar

 

Há tanto pra se emocionar

 

A riqueza do homem

Que desfaz seu significado

Quando fica sozinho

 

Em sua nudez de sentido

 

Tanto há se emocionar

Com a moça

 

Sonhando que sua beleza

Seja o bastante

 

Se olha no espelho

Como quem reza a uma santa

 

As rugas ensinarão

Que não existem milagres

 

(Não para os covardes)

 

Ainda há tanto o que se emocionar

Que não é hora de parar

Everton Behenck

Esse é o título do livro de estréia do meu amigo e parceiro no projeto Janelas Reginaldo Pujol.

E tá engraçado demais.

Quem quiser conferir tá aí o link! Vale  a pena!

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/catalogo/busca.asp?tipoBusca=1

 

Colocaram uma placa

Amarrada

 

Na grade da frente

Do prédio

 

Na gola

Da casa

 

Uma placa

Com um leão

Em um brasão

 

É um exército

 

Cercando a torre do prédio

 

A calçada

Presa do lado de fora

Um homem presa no lado de dentro

 

Pensa

 

Que só é possível estar em paz

 Lá dentro

 

O muro não mistura

O homem e a rua

 

É preciso um soldado

Para a disputa

 

É preciso uma arma em riste

Uma falange nervosa nos dedos

 

Apertando o gatilho dos erros

 

Sem sabê-los

 

Everton Behenck

FESTIVAIA – LETRAS E CANTOS

É divulgação de várias ações artísticas. Poetas falando música.
Músicos falando poesia. Fotógrafos dizendo versos. Cartunistas
contando histórias. Literatura e música pulsando em prol da poesia,
alegria e festa.

São encontros de pessoas inquietas e criativas.

São impropérios, recalcitrações, apupos, enfim, vaias à vida medíocre e
banal, e louvores, elogios, aplausos aos talentos de todos os tipos.

E neste sábado – dia 15/12, 21hs - o furdunço, além do lançamento da
23ª edição do Jornal Vaia, com a presença dos poetas que participaram
dessa edição especial do jornal, contará com a presença de:

ALEXANDRE BRITO
RICARDO SILVESTRIN
LEANDRO MAIA
RICHARD SERRARIA
HENRIQUE SCHNEIDER
REGINALDO PUJOL
VIVIANE JUGUERO
NELSON COELHO DE CASTRO
EVERTON BEHENCK
ITALO OGLIARI
BIER
FELIPE AZEVEDO
ITA ARNOLD
MARCO DE MENEZES
SIDNEI SCHNEIDER
MARCELO SPALDING
VINICIUS CAURIO
MAIRA DEGRANDI
MARCUS MINUZZI
LAURENE VERAS
LEANDRO DÓRO
PAULO WAINBERG
PAULO SCOTT

Perdi a inocência em uma tarde

Sei lá quando

 

Perdi o sono e a paz

Perdi os dias

E as horas

 

Perdi

 

Perdi minutos repletos de mim

Perdi o choro em teus olhos

 

Deixei

 

Perdi o rumo e os remos

Até os restos perdi

 

Perdi demais

Tudo de nós

 

E no meu sonho sem janelas

Perdi a chave da saída

E até perder a vida

 

Ardia

 

Perdi tudo o que tinha

 

Sobrou essa vontade imensa

 

De me encontrar

Everton Behenck