Guardo essa tristeza
Sob os botões da camisa

Sob a alegria da cor
Do tecido espesso

Escondo essa tristeza
De mim mesmo
Não quero pensar
No que ela significa

Guardo essa tristeza e ela
É só minha

Escondo de mim
E do mundo

Bem no fundo
De um sorriso

Everton Behenck

De que adiantam presentes
Se não me preserva

De que servem tantas
E tantas palavras

Que não significam nada
Além de suas letras

Os dentes mudos
E analfabetos

Do afeto

De que adianta
Teu cuidado

Voltado para o íntimo
Instinto

Que acima de tudo
Te preserva

Everton Behenck

Eu, ___________________
Juro amar-te

E compreender que isso

É não negar teu medo
Ou o que pode atrair teus olhos

Em segredo

Juro admirar tua alegria
E da mesma forma

Tua incapacidade

Você é maior
Justamente no que não pode

E juro amar essas lacunas
E respeitar esse espaço

Onde meus olhos
Não encontrarão respostas

E preencher de amor
E não de lágrimas

O que não entendo

Nem sempre
Estaremos

E sempre haverá alguém
Para colocar o amor a prova

O amor se renova
No que fazemos

Quando o outro não está vendo

Juro amar-te

E estar perto
Quando faltar afeto

O mundo não será justo
E tentará de muitas formas

Nos diminuir
E maltratar

O mundo não entende
Que duas pessoas

Existam somente
Uma dentro da outra

Juro amar-te

Na frieza alheia
No espaço vazio

No vão entre os cílios

No olhar partido
Da ausência

Na palavra
Mais cara

Para que o amor
Seja minha assinatura

Neste espaço
Do tamanho de um abraço

Que é a vida

Juro amar-te
Para que

Te amando
Nós dois sejamos

Mais
E tanto

Everton Behenck

As vezes
De tanto medo de te perder

Te perco

Como alguém
Que já não enxerga
O que olha fixo

O infinito
Oprimido

No espaço vazio

Os braços que soltam
Com força

De tanto tentar em vão
Conter

O que só é capaz
De pairar

Sobre a palma da mão
Quando esta

Se encontra aberta

As vezes
De tanto medo

De que você
Me decepcione
Ou engane

Eu me engano
E me decepciono

Em teu nome

Everton Behenck

Com essa mania de redes sociais acabei não postando aqui a programação da Fetipoa. Evento foda cheio de gente foda em dez dias foda de literatura vinda de todos os cantos do país e do continente.

Eu vou me apresentar sábado que vem.
Aqui vai programação pra quem vier ou estiver em Porto Alegre nesses dias.

http://festipoaliteraria.blogspot.com.br/p/programacao.html

E a novidade são os e-books da Não Editora. Todos os títulos da casa pela metade do preço.
Tem o meu livro. Mas tem os bons também.

http://www.naoeditora.com.br/novidades/conheca-os-e-books-da-nao-editora

*por algum motivo o links não viram links de jeito nenhum. sorry.

O amor
Não precisa de desculpas

É como a natureza
Onde não existe certo ou errado

O amor só conhece o ser amado

E enxerga amor
Em todos os seus atos

O amor
Não precisa de pedidos de perdão

Não entende o que deve ser perdoado
Os fatos não dizem nada ao amor

O amor nessas horas
É a ausência de memória

Se deixa ferir
Não sabe proteger a si

O amor não reconhece
O que o corta

E quando reconhece
Não se importa

O amor é ingenuo
Imenso e forte

O amor não se magoa
O amor morre

Everton Behenck

Não acenda as luzes
Ainda não

Existe muito o que escurecer
Em mim

Existe muito o que dormir
E muitos olhos a fechar

Aqueles que um dia
Viram a morte

Aqueles que esperam
Que alguém volte

E desde então
Não dormem

Aqueles que disseram adeus
Antes da hora

E hoje
Só sabem olhar para a porta

Em uma espera desperta
E ansiosa

Aqueles que
De tão cansados

Não podem manter
Os olhos fechados

Aqueles que amam
Um amor enorme

E o amor
Não dorme

Não acenda a luz
Espere um pouco

Que dentro desse escuro
Corre um louco

Pelas paredes
E pelo teto

Batento nas coisas
Puxando o lençol da cama

E a luz agora
Vai assuta-lo

E ele não merece esse sofrimento
Não nesse momento

Então aguarde com calma
No lado de fora

Não acenda a luz agora
Que lá dentro

Sob os escombros do sono
Há alguém tentando

Inventar um sonho

Everton Behenck

Minha vontade de ser livre
Sem perceber que liberdade

É uma palavra
Sem asas

Minha vontade de ser forte
Sem entender que o preço da força

É a dureza

Meu desejo de saber
Sem o entendimento

De que não fomos feitos
Para o conhecimento

E sim para a fé

Seja ela na cruz
No idioma

Ou numa infinidade de contas

Meu sonho antigo
De ser maior

Sem entender que o tamanho
É relativo

E que ao nos vermos diminuídos
Intuímos

Nossa verdadeira estatura

Crescer é mais um paradoxo
Que uma direção

Não passamos de uma intenção

Everton Behenck

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