E de repente
Ao andar na rua
Ao abrir uma porta
Para uma senhora
Morta
Ao cumprimentar um amigo
Que já não parece consigo
De repente
Ao olhar a mãe
E não se ver lá dentro
Ao ver que um filho
Seria uma dor
Impossível
De repente
Ao acenar com a cabeça
Uma condescendência
Indigna
Ao ver a agonia
Como um capricho
E o vício
Como o único batimento
Cardíaco
De repente ao implodir os dentes
Na palavra indizível
De repente
Na mínima recusa ao espelho
De repente
Ao menor medo
De estar irreconhecível
Ao menor estalo
De realidade nos ouvidos
De repente ao menor ruído
De um amor perdido
Me vejo vivo
E respiro
Aliviado
Everton Behenck
(que bom voltar a escrever aqui. beijo a todos! feliz ano novo atrasado!)