Feliz Natal e um ótimo ano novo.
E um pouco de poesia. Quem sabe.

Beijos.

*verão de folga no blog.
Gravando com a Casamadre. (se tudo der certo =)

É só olhar para o alto
Que o infinito
Bate em nosso rosto

Como viver
Sabendo nosso tamanho

Somos tão pouco
E o todo

Espanto

Nos resta o que inventamos

Everton Behenck

Das asas by ebehenck

Mais uma música da San German.
Brincadeira de leve.
Bj.

Eu te trouxe
Esse medo honesto

De sonhar tão alto

Mas também trouxe
O desenho ingênuo

De um par de asas

Para que você as invente
Comigo

Eu te trouxe o perigo
E o alivio

Que é sentar-se à sombra
De outra pessoa

Pouco importando que doa
A eventual fratura

Do futuro

São bonitos os planos
Mesmo quando não os realizamos

Mas para que você não pense nisso
Eu trouxe essa fé

Que eu fiz

Com restos de deus
E outras tantas sobras de demolição

Nao parece muito
Eu sei

Mas imagine quantos pedaços
Desencontrados foram necessários

Para que eu pudesse
Sem nenhuma prece

Construir
Apenas com as mãos

Um milagre

Para que ele
Me salvasse

E assim eu pudesse
Te trazer tantas coisas

Que nem mesmo eu sabia
Que tinha

Everton Behenck

01 Ao céu by ebehenck

Uma brincadeira chamada San German.
Estou nos vocais e nas letras e no violão a composição sensível do meu querido amigo e parceiro de Casamadre, Rodrigo Pereira.

beijo!

Você já sabe
Que irá morrer
Talvez em breve

E que será
Praticamente inevitável
Um tanto de dor
Prática e física

E tubos nas narinas

Você já sabe
Que atrás dos olhos
Está e sempre esteve
Irremediavelmente

Você já sabe
Que o amor nasce
E morre

Pelos mais diversos
Motivos

E que geralmente
As pessoas oferecem
O que não possuem

Enquanto exigem
O que você não tem

E que até perceberem isso
Serão felizes

Você já sabe
Que o amor
É uma intenção

E sabe que isso
É muito bonito

Você sabe que a fé
Foi feita
Para que você não acredite
Cegamente

Nisso tudo que sabe

A natureza criou a fé
Para garantir que você faça
A sua parte
Até que chegue
Cedo ou tarde

Com mais
Ou menos alegria

Aos tubos nas narinas

Você sabe
Que algo te move sempre em frente

E é exatamente o mesmo
Que move um cão
Uma vaca ou uma ave

Mas agradeça
Porque eles não sabem

Já você
Bem

Você sabe

Você sabe que dinheiro
Carros, ternos, móveis
Não são garantias nenhuma
De humanidade

E se você não sabe
Descubra antes que seja tarde

Você já sabe
Que não voltará
Ninguém que lhe salve

O parto é sempre um ato
De abandono implícito

Viemos a esse mundo
Com um propósito bem definido

E nunca voltaremos

Aproveite sua estada
Da melhor forma possível

E não se cobre tanto

Todo mundo sabe o quanto
É difícil

Everton Behenck

Cuspa em um estranho
Na rua

Passe a mão na bunda
De uma mulher casada
Ao lado do marido

Faça consigo

O que não quer
Para os outros

Explique a um louco
Os valores da família

Mostre a um pai
A sangria

Das narinas

Faça o dia
Virar noite

A noite
Ser tarde

Faça parte
De uma seita

Depois se converta

Apague um cigarro
No braço

Depois derrame bebida
Na ferida

Reprima a atitude
Depois siga

A vontade reprimida

Exponha suas partes
Mais íntimas

E ria
Da própria agonia

Everton Behenck

O amor não irá nos salvar
O amor é forte
Mas ainda não é força

O amor não supera nada
O amor

Só mostra que existe o outro lado

Para que você salte sozinho

O amor não é o ponto de partida
Nem o ponto de chegada

O amor é o caminho

E sobre ele
Só anda quem não teme perder de vista
O amor não é um lugar para pedir abrigo

O amor chove do lado de dentro

O amor não é suficiente
Para que as pernas se movam

Ele é o motivo
Não é o motor

O amor é só um aceno
Quem corre somos nós

Quem precisa ser forte
É a carne não o amor

Quem precisa vencer as barreiras
São as mãos no exercício do carinho

São as palavras na dicção da delicadeza
O amor não justifica nada

O amor é só um vento
Mesmo sendo capaz de mover e revirar

O amor não vai soprar
Em vão por muito tempo

O amor é muito sutil e muito ingenuo

Quem precisa gritar somos nós
Para multiplicar a voz

Nós precisamos dizer através do amor
O amor não falará uma palavra

Ele não fará nosso trabalho

Árduo

O amor virá morar conosco
Mas somos nós

Com as mãos vazias
Que devemos construir a casa.

O amor não precisa de nós

O amor não nos deve fidelidade
Não nos deve respeito

O amor não nos deve nada

O amor pode ir embora
Quando bem entende

E o amor não prende o amor nos dentes
Somos nós

Com nossa pouca imensidão
Que temos de crescer

Nós que só rezamos ao espelho
É que devemos ter fé e doação

O amor não é o santo
Nem a oração.
Nem o milagre

O amor só aponta o dedo e pergunta da porta:

E agora?

Everton Behenck

Ele
Despediu-se

Da esposa
Da sombra

Da árvore
Em frente a casa

Da fruta
Que gostava

Despediu-se
De dúzias de camadas

De afeto desfeito

Do porteiro do trabalho
Com quem havia brigado

Por um carro estacionado

Disse adeus
A cada funcionário

Chato

Olhou para todos
Os lados

E nasceu outro
Em seu choro

Everton Behenck

Será que foram as preces
Que eu não fiz

Que te trouxeram pra mim

Que movimentos imensos
De astros que não vejo

Na órbita limitada
Dos olhos

Te trouxeram

Que destino
Escrito

Nessa língua
Em que sou tão analfabeto

Te pôs perto

Para que eu enxergasse o afeto
Como a aparição

De alguma santa
Que revela segredos

A seus eleitos

E esses
Nunca mais são os mesmos

Que tipo de milagre
Revirou o tempo

Para que uma mulher
Me fizesse voltar a ter fé

Everton Behenck

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