Feliz Natal e um ótimo ano novo.
E um pouco de poesia. Quem sabe.
Beijos.
*verão de folga no blog.
Gravando com a Casamadre. (se tudo der certo =)
Everton Behenck
Feliz Natal e um ótimo ano novo.
E um pouco de poesia. Quem sabe.
Beijos.
*verão de folga no blog.
Gravando com a Casamadre. (se tudo der certo =)
É só olhar para o alto
Que o infinito
Bate em nosso rosto
Como viver
Sabendo nosso tamanho
Somos tão pouco
E o todo
Espanto
Nos resta o que inventamos
Everton Behenck
Eu te trouxe
Esse medo honesto
De sonhar tão alto
Mas também trouxe
O desenho ingênuo
De um par de asas
Para que você as invente
Comigo
Eu te trouxe o perigo
E o alivio
Que é sentar-se à sombra
De outra pessoa
Pouco importando que doa
A eventual fratura
Do futuro
São bonitos os planos
Mesmo quando não os realizamos
Mas para que você não pense nisso
Eu trouxe essa fé
Que eu fiz
Com restos de deus
E outras tantas sobras de demolição
Nao parece muito
Eu sei
Mas imagine quantos pedaços
Desencontrados foram necessários
Para que eu pudesse
Sem nenhuma prece
Construir
Apenas com as mãos
Um milagre
Para que ele
Me salvasse
E assim eu pudesse
Te trazer tantas coisas
Que nem mesmo eu sabia
Que tinha
Everton Behenck
Você já sabe
Que irá morrer
Talvez em breve
E que será
Praticamente inevitável
Um tanto de dor
Prática e física
E tubos nas narinas
Você já sabe
Que atrás dos olhos
Está e sempre esteve
Irremediavelmente
Só
Você já sabe
Que o amor nasce
E morre
Pelos mais diversos
Motivos
E que geralmente
As pessoas oferecem
O que não possuem
Enquanto exigem
O que você não tem
E que até perceberem isso
Serão felizes
Você já sabe
Que o amor
É uma intenção
E sabe que isso
É muito bonito
Você sabe que a fé
Foi feita
Para que você não acredite
Cegamente
Nisso tudo que sabe
A natureza criou a fé
Para garantir que você faça
A sua parte
Até que chegue
Cedo ou tarde
Com mais
Ou menos alegria
Aos tubos nas narinas
Você sabe
Que algo te move sempre em frente
E é exatamente o mesmo
Que move um cão
Uma vaca ou uma ave
Mas agradeça
Porque eles não sabem
Já você
Bem
Você sabe
Você sabe que dinheiro
Carros, ternos, móveis
Não são garantias nenhuma
De humanidade
E se você não sabe
Descubra antes que seja tarde
Você já sabe
Que não voltará
Ninguém que lhe salve
O parto é sempre um ato
De abandono implícito
Viemos a esse mundo
Com um propósito bem definido
E nunca voltaremos
Aproveite sua estada
Da melhor forma possível
E não se cobre tanto
Todo mundo sabe o quanto
É difícil
Everton Behenck
Cuspa em um estranho
Na rua
Passe a mão na bunda
De uma mulher casada
Ao lado do marido
Faça consigo
O que não quer
Para os outros
Explique a um louco
Os valores da família
Mostre a um pai
A sangria
Das narinas
Faça o dia
Virar noite
A noite
Ser tarde
Faça parte
De uma seita
Depois se converta
Apague um cigarro
No braço
Depois derrame bebida
Na ferida
Reprima a atitude
Depois siga
A vontade reprimida
Exponha suas partes
Mais íntimas
E ria
Da própria agonia
Everton Behenck
O amor não irá nos salvar
O amor é forte
Mas ainda não é força
O amor não supera nada
O amor
Só mostra que existe o outro lado
Para que você salte sozinho
O amor não é o ponto de partida
Nem o ponto de chegada
O amor é o caminho
E sobre ele
Só anda quem não teme perder de vista
O amor não é um lugar para pedir abrigo
O amor chove do lado de dentro
O amor não é suficiente
Para que as pernas se movam
Ele é o motivo
Não é o motor
O amor é só um aceno
Quem corre somos nós
Quem precisa ser forte
É a carne não o amor
Quem precisa vencer as barreiras
São as mãos no exercício do carinho
São as palavras na dicção da delicadeza
O amor não justifica nada
O amor é só um vento
Mesmo sendo capaz de mover e revirar
O amor não vai soprar
Em vão por muito tempo
O amor é muito sutil e muito ingenuo
Quem precisa gritar somos nós
Para multiplicar a voz
Nós precisamos dizer através do amor
O amor não falará uma palavra
Ele não fará nosso trabalho
Árduo
O amor virá morar conosco
Mas somos nós
Com as mãos vazias
Que devemos construir a casa.
O amor não precisa de nós
O amor não nos deve fidelidade
Não nos deve respeito
O amor não nos deve nada
O amor pode ir embora
Quando bem entende
E o amor não prende o amor nos dentes
Somos nós
Com nossa pouca imensidão
Que temos de crescer
Nós que só rezamos ao espelho
É que devemos ter fé e doação
O amor não é o santo
Nem a oração.
Nem o milagre
O amor só aponta o dedo e pergunta da porta:
E agora?
Everton Behenck
Ele
Despediu-se
Da esposa
Da sombra
Da árvore
Em frente a casa
Da fruta
Que gostava
Despediu-se
De dúzias de camadas
De afeto desfeito
Do porteiro do trabalho
Com quem havia brigado
Por um carro estacionado
Disse adeus
A cada funcionário
Chato
Olhou para todos
Os lados
E nasceu outro
Em seu choro
Everton Behenck
Será que foram as preces
Que eu não fiz
Que te trouxeram pra mim
Que movimentos imensos
De astros que não vejo
Na órbita limitada
Dos olhos
Te trouxeram
Que destino
Escrito
Nessa língua
Em que sou tão analfabeto
Te pôs perto
Para que eu enxergasse o afeto
Como a aparição
De alguma santa
Que revela segredos
A seus eleitos
E esses
Nunca mais são os mesmos
Que tipo de milagre
Revirou o tempo
Para que uma mulher
Me fizesse voltar a ter fé
Everton Behenck